T03 Ep20 O caso Daniel Correa
O caso
Daniel
Correa Freitas nasceu no dia 22 de janeiro de 1994 na cidade de Juiz de Fora,
Minas Gerais. Filho único de Eliana Correa e Marcelo Lopes Freitas. Anos
depois, a família mudou-se para Conselheiro Lafayete.
Aos 11 anos, Daniel começou a jogar futebol no time de base do
Cruzeiro, onde foi campeão brasileiro sub-17 e sub-20, campeão da Copa do
Brasil Junior e campeão mineiro sub-17, tudo isso entre os anos de 2011 e 2012.
Ele saiu de casa aos 13 anos para ir morar no alojamento do Cruzeiro e estudou
na escola do Cruzeiro. A sua posição, e
na qual jogaria até o fim da sua vida, era meio campista.
Ainda em 2011, foi para a Seleção Sub-17 e
disputou o Sul Americano no Equador.
Em 2013, aos
19 anos, ele foi transferido para o Botafogo. Primeiro nas divisões de base, 1
ano depois ele chegou ao time profissional. Estreou em 2014 e jogou 29
partidas. Em setembro de 2014, Daniel necessitou de uma operação no joelho após
uma lesão no jogo Botafogo x Ceara pela Copa do Brasil.
Com o
rebaixamento do Botafogo naquela temporada de 2014, Daniel foi vendido e assinou
com o São Paulo em dezembro de 2014 com um contrato de 3 anos. O Palmeiras
também demonstrou interesse na contratação, mas não o aprovou nos exames
médicos. Um acidente doméstico acabou o fazendo operar o mesmo joelho machucado
naquele ano. Foram 8 meses de recuperação.
Pelo São
Paulo ele só jogou efetivamente em setembro de 2015. Com o baixo aproveitamento
no time, tendo entrado em somente 2 partidas, o São Paulo optou por deixá-lo
disponível para empréstimo e foi assim que ele chegou ao Coritiba em 2017.
No Coxa ele
jogou 6 partidas e sofreu de uma tendinite no mesmo joelho já operado e mais
uma vez foi emprestado para outro time: o Ponte Preta e jogou 10 partidas.
Daniel foi
devolvido ao São Paulo e ele tinha contrato com o clube até dezembro de 2018.
Sem lugar para ele no São Paulo, ele foi emprestado ao Clube São Bento, time da
2ª divisão e atuou em 2 jogos antes da sua morte.
Família,
amigos, colegas de time: todos são unanimes em dizer que Daniel era um cara
legal, tranquilo, esforçado, carinhoso.
Não se fala
muito sobre a vida amorosa dele com exceção do namoro com Bruna, que foi
rápido, mas gerou a única filha de Daniel chamada Alice que tinha 2, 3 anos na
época do crime e com quem ele mantinha uma relação muito próxima. Ele deu todo
suporte a Bruna seja na paternidade seja financeiramente durante a gestação e
depois do nascimento de Alice.
Agora vamos aos
outros personagens desse caso: os Brittes.
Edison Luiz
Brittes Junior, chamado de Juninho Riqueza e Cristiana se conheceram muito
novos, adolescentes ainda, ele com 17 e ela com 15 apenas. Depois de 2 anos de namoro, Cristiana ficou
grávida da primeira filha do casal, Allana Emily e se casam. Eles estão vão
morar no fundo da casa dos pais de Cristiana. Eles tiveram mais uma filha, 6 anos
depois, que não vou mencionar o nome.
Ele
trabalhou na indústria metalúrgica em São José dos Pinhais e depois abriu uma
gula. Gula é como no Paraná eles chamam lojas que vendem produtos de
supermercado só que mais baratos, com itens perto do prazo de validade.
Um amigo dos Brittes, Denis
Araujo, que mais pra frente vai estar aparecer no caso novamente, era dono da
Rede Multi Gula em Curitiba. Ele vendeu uma de suas lojas, na Rua Via Veneto,
1680 loja 04, no bairro de Santa Felicidade em Curitiba. para o Edison. Depois
de 6 meses o Denis recomprou a loja e o Edison abriu a Gula Express em São José
dos Pinhais. E deu muito certo. A família começou a ganhar um dinheiro e
melhorar a vida. Durante a minha pesquisa, encontrei um CNPJ, de um comercio,
nesse mesmo endereço em Santa Felicidade, também uma gula, tendo como socia
administradora a Cristiana Brittes só que um CNPJ aberto no dia 09 de outubro
de 2018, menos de 20 dias antes do crime, porém se vocês foram olhar nesse
endereço, já existia a Multi Gula lá em agosto de 2018.
A casa dos
Brittes, que depois descobriu-se parece, que não foi comprada, mas passou para
o nome deles por usucapião, era conhecida como “Juninho Riqueza House”. A
Juninho Riqueza House não ficava em um bairro chique, de classe média alta. A
casa de muro ladrilhado azul, com dois leões de gesso acima do portão de
garagem e principal é localizada numa rua simples, fica ao lado de uma pequena
loja de presentes, um pet shop.
Edison e
Cristiana gostavam de motos. Em fotos pelas redes sociais de ambos, fotos em
eventos de motos eram sempre postadas. Ele tinha, na época dos fatos, uma Honda
CBR 1000. Além de um Hyundai Veloster preto. Durante a investigação, foi apontado
que, a moto estava em nome de um homem condenado em 2016 a 40 anos de prisão por
tráfico, assim como o Veloster também não estava em nome de Edison.
Além disso,
Edison também tinha uma arma e posse de arma. Costumava atirar em um clube de
tiro bem como em casa. Vizinhos chegaram a chamar a polícia uma vez depois de
uma briga do casal Brittes em que ouviram um tiro.
Em 2015
Edison foi denunciado por receptação no caso de um Hyundai Sonata roubado e com
o número do chassi adulterado. No meio de 2018, dia 08 de junho, ele foi parado
pela polícia na Av Manoel Ribas, que passa pelo bairro de Cascatinha e o de
Santa Felicidade, em Curitiba. Ele foi parado por estar em alta velocidade só
que os policiais encontraram uma arma dentro do carro e ele tinha posse de
arma, não porte, então não deveria estar na rua armado. Ele pagou R$ 500 de
fiança e foi liberado.
Já em fevereiro
de 2018, Doralice Brittes, mãe de Edison, prestou queixa contra ele de ameaça,
alegando ter emprestado um dinheiro a ele, que não pagou e quando ela o cobrou,
foi ameaçada.
A vida
dessas pessoas se cruzou em 2017.
Enquanto
jogava no Coritiba, Daniel e Allana se conheceram pelo Instagram e trocaram
algumas mensagens. Ele, que morava em Curitiba, a convidou para ir a casa dele,
numa resenha. Há prints dessas mensagens onde lemos Allana dizendo que tinha
acabado de sair de um namoro e ela estava interessada mesmo em ter uma amizade
com Daniel. Nesse primeiro convite, apesar de pedir ao pai, Edison não a deixou
ir.
Logo na semana seguinte,
iria acontecer outra resenha, um outro encontro, Daniel novamente chama Allana
e dessa vez o Edison deixou Allana ir com uma amiga. Depois desse encontro no
apartamento do Daniel, eles ainda foram em algumas festas juntos, de amigos que
eles tinham em comum. Por essa razão, Daniel foi convidado e compareceu ao aniversário
de 17 anos da Allana naquele ano ainda.
No ano
seguinte, 2018, Allana convida mais uma vez o Daniel para o agora, seu aniversário
de 18 anos. Seria no dia 26 de outubro.
Fora o aniversário
de 18 anos da Allana, Daniel também havia sido chamado para uma outra festa.
Ele topou ir em ambas.
O Daniel
estava no Clube São Bento como eu disse, emprestado pelo São Paulo. Como ele
estava lesionado, o clube o dispensou do jogo contra o CRB, pela série B do
Campeonato Brasileiro, que aconteceu no dia 27 de outubro, jogo que o São Bento
venceu por 1x0. Ele morava na cidade de
Sorocaba em São Paulo.
Lucas Muner,
amigo tanto de Daniel quanto de Allana, que morava em Curitiba, pegou os
convites para a comemoração dos 18 anos que aconteceria no Bar/Danceteria Shed,
na Rua Bispo Dom José, no bairro Batel. Um bar sertanejo badalado em um bairro
também badalado de Curitiba.
Para chegar
em Curitiba, Daniel usou um serviço de carona online. Foi para a casa do Lucas,
deixou as suas coisas e os dois foram para a primeira festa. Isso no dia 26 de
outubro já. Após essa festa, se dirigiram para a Shed, local onde podemos dizer
que o crime começou.
Essa
história tem várias e várias versões e para ser o mais justa possível, eu vou
apresentar a você essas versões da história, tentando manter uma ordem
cronológica que faça algum sentido.
As
comemorações dos Brittes pelos 18 anos da Allana começaram no dia 24 de outubro
com a aniversariante almoçando com a madrinha e jantando com os avós.
A festa no
camarote da Shed foi organizada por mãe e filha, dos convidados, copos
personalizados ao bolo. Eram mais ou menos de 50 a 60 convidados. Um gasto de
algo em torno de R$ 22 mil reais nessa festa. Algumas reportagens relatam que
só de Vodka seriam consumidos 35 litros.
Pela manhã
as duas vão a um salão de beleza se arrumarem para a festa.
A festa
estava combinada para as 23 horas. E os Brittes assim como outros convidados,
chegaram nesse horário. Daniel chegou mais ou menos de 30 min a 1 hora depois,
acompanhado não só do Lucas Muner, mas aparentemente com um outro Lucas, conhecido
como Lucas Mineiro. O Daniel, apesar dos Brittes terem reservado um camarote,
vai para a área VIP da Shed quando chega.
Todos os
depoimentos são em maioria similares em relação ao tempo que Daniel interagiu
com Allana e o tempo curto que ele passou no camarote. Os vídeos internos da boate
corroboram e mostram ele transitando pela boate, conversando com outras
pessoas.
As 5:36,
visto pelo horário das câmeras de segurança do lado de fora da Shed, Edison,
Cristiana e Allana vão embora acompanhados do Eduardo Henrique da Silva e Thais
Farias. Dentro do bar, 5:43, Daniel está
conversando com uma menina e um rapaz o empurra. Seis da manhã ele sai da Shed
e se vê ele entrando em um carro branco com outras pessoas. Daniel está indo
para a casa dos Brittes em São José dos Pinhais. No carro estão, além do
Daniel, o Lucas Mineiro, uma outra menina chamada Carol Zanata e Evellyn
Brizola Perusso, que, aliás, chegou a ficar com o Daniel na Shed. O Lucas
Muner, saiu da Shed antes do Daniel e foi para casa.
De acordo
com Allana, não houve convite para um after vindo dela. Estavam hospedados na
casa, a Thays Farias, de 17 anos e prima de Cristiana com o namorado Eduardo
Henrique, de 19. Os dois moravam em Foz do Iguaçu e foram só para o aniversário,
portanto, só estaria previsto voltarem da boate, a própria Allana, Cristiana,
Edison, Thays e Eduardo.
É confuso
saber quem realmente estava na casa naquela manhã do dia 27 de outubro. Algumas
dessas pessoas são testemunhas sigilosas então não se sabe ao certo quantas
pessoas seriam.
De acordo com os Brittes,
assim que chegaram em casa, Thays e Eduardo foram para o quarto no andar de
cima da casa dormir, Cristiana estava bastante alcoolizada, então Edison fez uns
ovos pra ela, Cristiana comeu e ele a ajudou a ir deitar na cama no quarto do
casal dentro da casa, afastada um pouco do local da área gourmet, da área de
festa.
Apareceram o
David William Vollero, amigo de infância de Allana, que também estava na Shed, Ygor
King e os irmãos gêmeos Purkote Chiuratto, vindos também da Shed e também amigos
de Allana. Um pouco depois deles chega o carro com Daniel e os outros.
Existe um
trecho de um vídeo, talvez um story, em que se vê de relance, o Daniel sentado
em uma poltrona na área gourmet da casa enquanto outras pessoas riem, dançam,
conversam.
Como várias pessoas chegaram na casa, Edison
saiu pra comprar bebida. Ele ficou com as outras pessoas fumando narguilé,
bebendo, ouvindo música, conversando.
Allana
relata que, Evelyn chegou nela e comentou que Daniel estava insistindo pra
dormir com ela, lembrando que eles deram uns beijos lá na Shed e ela não queria
dormir com ele, Allana então subiu para o seu quarto e aparentemente, para não
ficar perto de Daniel, Evelyn subiu junto.
A ordem dos
acontecimentos vai do depoimento posterior de cada um. Alguns pontos são comuns
a todos, mas a cronologia como eu disse, diverge.
Daniel, pediu
para ir ao banheiro e saiu da área de festas. Ninguém relata ter visto o
caminho que ele fez ou para onde foi quando se levantou.
Oito da manhã, Eduardo Flamel, primo do Daniel, morando em Minas Gerais, conversa com ele por whatsapp. Daniel manda fotos dele, ao lado de Cristiana dormindo, na cama. Os dois conversam, Daniel envia um áudio ao primo.
As 8:34
Daniel envia a sua última mensagem. Ele não responde mais ao primo e nem iria
mais responder a ninguém.
Um curto
tempo depois, Edison começa a gritar de dentro da casa.
Cristiana
sobe e pede que Eduardo ajude porque Edison estava agredindo Daniel no quarto
deles. Além de Eduardo, segundo a acusação, também agrediram o Daniel dentro do
quarto, David, Ygor e um dos irmãos Purkote.
A agressão
saiu do quarto e foi para fora da casa. Daniel, parcialmente nu, só de camisa,
continuou sendo violentamente atacado sem conseguir se defender, enquanto 4, 5 homens
batiam nele.
Por fim,
Daniel foi posto dentro do porta-malas do Veloster de Edison. Eduardo, David,
Ygor entraram no carro e todos saíram. Era por volta das 9 da manhã do dia 27 de
outubro de 2018.
Gabriel Basso
passava na Rua Augusto Micrute, na Colônia Mergulhão, uma área de
reflorestamento de pinheiro, arvore símbolo do Paraná, na zona rural de São José
dos pinhais. Era um caminho longe, cerca de 25km da casa dos Brittes, de terra
batida, rodeada de pinheiros, um lugar relativamente esmo. Em determinado ponto da rua, Gabriel viu muito
sangue e achou estranho. Parou e decidiu seguir o rastro do sangue entrando
para dentro da área. Não muito afastado do que seria à beira da rua, ele
encontrou um corpo de um homem jovem, com uma blusa escura rasgada, com um
corte no pescoço e nu da barriga pra baixo.
A guarda
municipal foi a primeira a chegar no local, depois, a polícia militar. O corpo
estava degolado e emasculado. O pênis foi encontrado pendurado em uma arvore há
20 metros de distância. No braço ainda estava uma pulseira da Shed.
Eliana, mãe
do Daniel, liga para Allana, no dia seguinte, após conseguir com o Lucas Muner
o número parece que da Shed e eles lá repassaram o contato da Allana, segundo
algumas fontes que eu pesquisei. Preocupada com o filho não estar respondendo
mensagens e não ter avisado onde estava, ela descobriu que ele esteve na Shed e
que teria ido para a casa dos Brittes.
Por
whatsapp, Eliana troca mensagens com Allana que diz ter visto Daniel umas 8 e
pouco da manhã indo embora sem avisar nada e que ele estava bem quando saiu. Mais
do que isso, Allana se disponibilizou para ajudar a família de Daniel no que
eles precisassem.
Aflito,
Eduardo Flamel, o primo de Daniel com quem ele tinha trocado as mensagens, liga
pro IML de São Jose dos Pinhais no dia 28. Eles informam que um corpo de um rapaz jovem
tinha acabado de chegar, as características eram parecidas e ainda não estava
identificado porque as digitais não estavam no sistema de identificação do Paraná.
As cicatrizes do joelho, das cirurgias feitas anteriormente, foi o que permitiu
que Eduardo confirmasse que era o Daniel, isso na noite do dia 28.
Como eu
disse Daniel foi degolado e emasculado. O que seria isso? O que é degola. Pensa
numa camisa polo por exemplo, ela tem gola. A gola fica na nuca, ela dá meia
volta no pescoço. A degola é o corte feito exatamente no mesmo lugar onde fica
a gola de uma camisa. E a emasculação, pra quem já ouviu o podcast do Ivan
sobre o caso dos emasculados do maranhão ou já ouviu ou leu sobre o caso, sabe
que a emasculação é a remoção, a extração do pênis e testículos do homem. Eu
fiz um curso com a Dra. Rosangela Monteiro e ela fala que, a emasculação tem
uma conotação psicológica de quem comete a emasculação. Pro autor significa
atingir diretamente a masculinidade daquela vítima, também pode significar que
tanto o autor quanto a vítima se conhecem porque é algo muito pessoal a
necessidade de se demasculinizar a vítima. E isso aconteceu com o Daniel.
A imprensa divulgou a morte do Daniel e aí quem entrou em contato com a Eliana, foi o Edison. Ligou dando os pêsames, prestando condolências, se dispondo a ajudar.
Estava muito
obvio que algo de extremamente grave tinha acontecido com o Daniel. Uma vítima
de assalto por exemplo não seria jogada no meio do mato, degola e cortada
daquela maneira.
Um adendo, no
dia 28 de outubro, acho importante pontuar, que, tanto Allana quanto Evelyn,
postaram fotos de look e da comemoração na Shed nos seus feed no Instagram.
O exame
necroscópico apontou 1,34 gramas de álcool por litro no sangue do Daniel e
nenhum sinal de drogas. Para comparação, a lei de trânsito no brasil já
considera infração grave, pessoa embriagada, uma concentração de 0,34 gramas
por litro. A perícia do local de encontro do cadáver, realizada pelo perito
Jerry Gandin, por sinal o mesmo do caso Renata Muggiati que foi um dos
episódios do spin off, não indicou sinais de arrastamento, o que sugeria que
Daniel foi carregado do porta-malas do Veloster até onde o corpo estava. Daniel
pesava 68 kg quando foi morto.
O delegado Amadeu
Trevisan assume a investigação do caso de homicídio.
O corpo de
Daniel é levado para Conselheiro Lafaiete, velado no Ginásio Poliesportivo do
Clube Carijós e no fim da tarde do dia 31 de outubro, enterrado no Cemitério
Nossa Senhora da Conceição.
Dias antes
do enterro, no dia 29, na praça de alimentação do Shopping São José, no centro
de São Jose dos Pinhais, Edison, Cristiana, Allana, Lucas Mineiro e os irmãos
Purkote, supostamente. Esse encontro foi gravado pelas câmeras de segurança do
shopping. Nos cortes desse vídeo, vemos Edison, Cristiana, os irmãos chegando
na mesa e se sentando, depois a Allana chega com uma bandeja de comida, o Lucas
Mineiro chega depois e aí é Cristiana quem tinha saído pra comprar comida.
Na maior
parte do tempo é Edison quem conversa com os 3 rapazes, voltado pra eles. Em
algumas ocasiões, Allana e Cristiana riem, Cristiana é quem parece mais
preocupada em alguém poder estar ouvindo o que eles conversam na mesa. Ela em
um momento, olha sob o ombro e aponta para o lado disfarçadamente e gesticula
erguendo o dedo até altura do ouvido e apontando novamente para o lado, como se
dissesse que as pessoas nas outras mesas poderiam ouvir.
O que a
acusação acredita é que aquele foi um encontro marcado para alinhar a versão
que seria dada a polícia. Se o intuito foi esse, não foi muito eficiente.
Voltando
para o dia 31 de outubro, o Denis Araujo, lembram dele? O amigo que repassou
uma gula para o Edison e muitos diziam se socio dele. O Edison, segundo ele,
ligou, pediu pra conversar ele os encontrou a noite com o carro dele. A Cristiana
pediu uma água, eles pararam em um posto de combustível no bairro do bom retiro
em Curitiba, Edison desceu do carro e foi na loja de conveniência. Nesse
instante, a polícia circula o carro e prende Cristiana, já que, o delegado
Amadeu já tinha pedido e foi deferido, o mandado de prisão preventiva para os
Brittes. Porém, o Edison, viu tudo e saiu de fininho da loja de conveniência e
fugiu. Ele foi andando até o escritório do Claudio Dalledone Junior, que ficava
a alguns metros do posto.
Com a esposa
presa, no próprio escritório, o Edison grava um vídeo de confissão. Allana
também vai ao escritório e também grava um vídeo contando sua versão do que
aconteceu. Os dois se entregariam no dia seguinte, 01º de novembro de 2018. Nesse vídeo da Allana ela fala que o Daniel
estava em cima da mãe dela quando ela e o pai abriram a porta, tentando
violentar a Cristiana, a mãe gritava e eles foram a socorrer.
Com a família
presa, uma perícia forense requisitada pela polícia é realizada na casa no dia
02 de novembro e encontra sangue nas paredes, no piso, dentro do carro e sinais
de tentativa de limpeza.
A polícia
descobriu que o número de telefone que o Edison usava, o mesmo que ele usou
para ligar para a Eliana prestando pêsames, estava em nome de um homem
envolvido com interceptação de produto roubado e que acabou sendo assassinado
em 2016.
Em seu
primeiro interrogatório, Edison disse que Daniel não foi convidado para a casa
dele, que Daniel tentou estuprar a Cristiana, que foi ele Edison quem espancou,
colocou Daniel no carro e que a princípio a intenção era só o jogar em algum
lugar. No carro, ele viu as fotos que Daniel tirou e enviou para o primo, a
conversa dele e com ódio, acabou o matando.
“O que eu
fiz foi o que qualquer homem faria. Porque aquela mulher que estava ali não era
minha esposa. Para mim, eram todas as mulheres do Brasil e naquele momento era
a minha esposa.”
Os
interrogatórios da Cristiana e da Allana foram dados no dia 05.
A Cristiana
narrou que, o aniversario começou na boate as 23 horas. Ela estava a 19 anos
casada com Edison, não conhecia o Daniel, mas já o tinha visto. Ela saiu da
boate com o marido. Na casa dela, além dela mesma e do marido, estava a filha
mais velha, a prima Thays, o Eduardo e o David, que era o ficante da Allana,
amigo... Ela comeu um ovo e Edison a levou para o quarto, que ficava no térreo
e ela dormiu. O quarto de visitas e o da Allana ficava no 2º andar.
Quando
saíram da boate nenhum after na casa dela estava combinado. Allana contou a ela
depois que o Lucas Mineiro ligou dizendo que estava indo pra lá, mas ninguém
foi convidado. Teriam chegado então lá, o Lucas, o Daniel e mais 3 meninas,
sendo uma delas a Evellyn. Parecia que o Edison foi quem recebeu todo mundo. Foram
para a área gourmet na parte de trás da casa e depois chegou os gêmeos Purkote
e o Ygor.
Edison teria
saído para comprar bebida e que ela achava que foi aí que Daniel aproveitou
para entrar no quarto. Ela acordou com ele de cueca, com o pênis ereto e
passando a mão dela.
O marido
arrombou a porta e segurou Daniel pelo pescoço. Ela saiu pela janela do quarto.
Um dos Purkote estava perto da janela e ela pediu ajuda. Várias pessoas
entraram no quarto. Ela subiu e pediu ajuda a Thais e Eduardo dizendo que
Edison estava batendo no Daniel e alguém precisava ajudar o Daniel. Ninguém que
estava naquela casa tentou separar a briga.
Daniel foi
posto no porta-malas e saíram o Edison, David, Eduardo e Ygor juntos no carro.
Quando
voltaram ninguém disse nada e o David e Ygor foram embora.
Dias depois
eles se encontraram no shopping com o Lucas Mineiro e o Edison falou que ele
queria assumir o crime, se entregar, mas queria saber detalhes do que aconteceu
com os meninos, se alguém viu algo que ele não viu.
Essa foi a
1ª narrativa, a 1ª versão dos fatos de acordo com a Cristiana.
Allana começa o interrogatório narrando seu
dia 26 de outubro. Ela fez 18 anos no dia 24 de outubro e queria muito
comemorar na Shed, então locaram 2 camarotes. Conhecia o Daniel a 1 ano e 5
meses. O convite para que ele fosse a Shed partiu dela e ele foi acompanhado de
um amigo, o Lucas Muner.
Para a sua
casa só iriam o Eduardo e a Thays que estavam hospedados lá. Na saída da Shed,
a Carolina Zanata, uma amiga, perguntou se teria um after na casa e ela
respondeu que não.
Quando
chegaram em casa, o Lucas Mineiro ligou dizendo que estavam indo pra lá e em 5
min chegaram ele, Daniel, Evelyn e Carolina. Vinte minutos depois chegou a Sthefany,
os irmãos Purkote e um outro amigo chamado Gabriel, de Uber.
Antes das
pessoas chegarem, a mãe dela e a Thays subiram na mesa dançando, o pai pediu
que a mãe colocasse um short porque ela estava de vestido. Ela ajudou a mãe a
chegar até o quarto, colocou nela um short saia e voltaram para a área gourmet.
O pai fez um ovo pra mãe e pôs na cama pra dormir.
O pai quem
recebeu as pessoas e ficaram conversando, bebendo, fumando narguilé.
Ela e a
Evelyn subiram pra tomar banho e dormir. Thays e Eduardo já estavam no quarto
de visitas. David subiu pra dormir e meia hora depois o Ygor subiu e ela ouviu
uma gritaria. Foi Ygor quem disse, quando eles desciam, que o Daniel estava na
cama da mãe dela.
O pai estava
segurando o Daniel pelo pescoço. Ygor e o Eduardo Purkote estavam no quarto e o
Daniel estava de cueca e camiseta.
A mãe dizia
que o Daniel tentou estuprá-la. Enquanto isso, seu pai, David, Ygor e o Eduardo
não paravam de bater no Daniel. Edison arrastou Daniel para fora da casa,
alguém, que ela não lembrava quem, colocou o Daniel no porta-malas do carro e
saíram no carro o pai dela, o David, o Ygor e o Eduardo.
Em casa
ficaram ela, a mãe, Thais, Sthefany, uma amiga que também tinha ido pra casa,
Carolina, Lucas Mineiro e os irmãos Purkote. O Lucas pediu um Uber 5 minutos depois
e com ele no Uber foram a Carolina, a Sthefany e os gêmeos. Ela não lembrava
quando os outros que ainda estavam na casa foram embora.
Ela tentou várias
vezes ligar para o Ygor e para o Eduardo, mas nenhum dos dois atendia. Não viu
o pai pegando alguma faca ou dinheiro. Só os viu saindo.
Quando todos
os homens voltaram, não falaram nada. Ela só abraçou o pai.
David e Ygor
ficaram na casa, dormiram e no almoço a Evelyn fez um strogonoff, eles comeram
e limparam a casa.
Foi ela quem
marcou o encontro no shopping são José com o Lucas e os gêmeos, mas não no
intuito de combinarem o que dizer para a polícia.
Allana
também falou que no dia 28 a noite um DDD 31 ligou perguntando sobre o Daniel e
o pai a aconselhou contar que o Daniel esteve na festa, também esteve na casa,
mas foi embora e ninguém sabia para onde. Essa mesma pessoa, a pediu para ir ao
IML e ela achou a princípio que era uma prima do Daniel. Sabemos que essa
pessoa era a mãe do Daniel, a Eliana.
Segundo
Allana, o pai não disse que matou o Daniel, mas pelo comportamento do Edison
ela sabia que o Daniel só poderia estar morto. Notaram que, do vídeo que ela
gravou no escritório do Dalledone para o interrogatório já houve uma mudança na
versão?
Mãe e filha
ficaram na mesma cela na delegacia de Pinhais e no dia 08 de novembro ambas
foram transferidas para a Penitenciaria Feminina de Piraquara, na Grande
Curitiba.
Além delas,
Eduardo Silva, David e Ygor foram também presos. Eduardo Pukote chegou a ser
detido por um tempo.
A Cristiana
passou por exame de corpo de delito e não foi encontrado pelos peritos sinais
de estupro. Lembrando que, atualmente, isso por si só não descaracteriza o
crime de estupro, porque há outras evidências e outras coisas consideradas
também estupro além da conjunção carnal. O artigo do CP que fala de estupro foi
alterado por lei em 2009 e ele fala de praticar ato libidinoso forçado, então
não é necessariamente preciso ter acontecido penetração vaginal para ser
entendido como estupro, um toque, um ato obsceno, algo forçado, contra a
vontade da vítima, pode sim ser enquadrado como estupro, acho importante que,
nós, mulheres, principalmente, que somos a maior parte de vítimas desse tipo de
crime, sabermos isso. Claro que, é preciso um conjunto de provas e evidencias,
mas a gente precisa desmistificar que ser vítima de estupro é só quando há
penetração, não é.
A polícia recebeu
também o celular da Cristiana. Ela deixou o celular em uma loja para conserto
no dia 31 de outubro, o dia da sua prisão. Quando o pessoal da loja viu que ela
e o marido estavam envolvidos no crime, contaram que o celular estava lá e a polícia
recolheu no dia 05 de novembro.
O David e o
Ygor também passaram por interrogatório. Ambos representados pelos mesmos
advogados, primeiro foram os advogados Robson Domacioski e Allan Smaniotto
(posteriormente eles foram passaram a serem representados pelo Rodrigo Faucz).
A história deles era que sim, eles agrediram Daniel, entraram no carro, mas não
participaram da morte. Só Edison e Eduardo desceram e eles mataram o Daniel no porta-malas.
Viram o Edison trocando a roupa suja de sangue e jogar a roupa e a faca usada
em um riacho. Isso foi dito no interrogatório do dia 09 de novembro.
No dia 12
acontece um outro interrogatório importante, o do Eduardo, namorado da prima de
Cristiana, a Thays. Ele conta que estava no quarto com a namorada quando a
Cristiana entrou dizendo que o marido estava batendo no Daniel porque ele teria
mexido com ela. Ele então colocou uma blusa e desceu. No quarto do térreo
estava o Ygor, David e o Edison espancando o Daniel. O Edison dava uma mata leão
no jogador. O Eduardo acabou batendo também. O Edison só dizia que o Daniel
tinha tentado estuprar a mulher dele. Ele, o Edison, David e Ygor levaram o
Daniel para o quintal, que cuspia sangue e parecia engasgado, mas não dizia
nada.
O Edison
disse que ia capar o Daniel e pediu ajuda para segurar. Eles o colocaram no porta-malas,
Ygor empurrou as pernas pra dentro do porta-malas. Edison foi na cozinha, pegou
uma faca e tirou a cueca do Daniel. Entrou todo mundo no carro, Edison
dirigindo e o David no banco do carona. Ele, Eduardo, achava que eles iam
castrar o Daniel e abandoná-lo na rua, mas não imaginou que ele seria morto.
Daniel teve
o pescoço cortado ainda no porta-malas. O Edison cortou enquanto ia tirando
ele. Eduardo viu Edison arrastando o Daniel pelos braços e se afastando. Não
viu o que ele fez. O Edison voltou, eles saíram e pararam em um posto de
combustível, David comprou duas garrafas de água e foram também em uma loja de
roupas e novamente foi David que desceu e comprou uma roupa nova pra Edison
vestir.
Quando
voltaram para a casa dos Brittes, o Edison chamou tanto a Cristiana quanto a
Allana e contou que tinha acabado de matar o Daniel.
Durante a
investigação policial, no começo ainda do inquérito, várias teorias foram
levantadas. Algumas testemunhas que estavam na casa deram versões diferentes,
uma delas, sigilosa, disse ter ouvido Edison falar enquanto espancava
brutalmente o Daniel:
“Isso é o
que acontece quando se mexe com mulher de bandido.”
Também se
ouviu Cristiana pedir a Allana que não deixasse o pai fazer aquilo dentro de
casa, supostamente se referindo a matar o Daniel. Outras contaram ter ouvido
Daniel dizer que não queria morrer.
Houve a tese
de que, Edison convidou Daniel para dormir com Cristiana depois que uma perícia
no celular dela, aquele entregue pela loja, mostrar pesquisas por casas de
swing e apps excluídos do celular.
Circulou um
trecho de vídeo de câmera interna da Shed onde se vê Cristiana no camarote e em
um momento parece que ela se vira e tenta beijar um rapaz, que supostamente
seria o amigo do Daniel, o Lucas Muner, mas o vídeo tem uma qualidade baixa
então não é possível dizer com certeza se era isso mesmo. Lucas diz que ela
tentou sim o beijar naquela noite.
A polícia
também acusou o Eduardo Purkote de ter sido quem quebrou o celular do Daniel,
que nunca foi encontrado, de ter sido quem arrombou a porta do quarto e de ter
quem pegou a faca na cozinha da casa para Edison usar. Algumas testemunhas que
a faca foi pelo Purkote outros pelo Edison, outros que nem viram faca nenhuma.
Que houve uma faca sabemos que houve por que foi o objeto usado para assassinar
o Daniel.
'
A defesa dos
Brittes pediu um habeas corpus para Cristiana no fim de novembro, talvez usando
do fato dela ter filha menor de idade, mas ele foi indeferido.
Todos os
laudos médicos legais foram entregues no fim de novembro e concluíam que mais
de uma pessoa carregou Daniel, ele morreu de uma degola parcial que não se
podia ter certeza de ter sido feita com ele vivo ou não.
O delegado
Amadeu Trevisan entregou o indiciamento ao MP no fim de novembro. Foram
indiciados o Edison por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Cristiana
por coação de testemunha e fraude processual. Allana por coação de testemunha e
fraude processual. Eduardo Silva por homicídio qualificado e ocultação de
cadáver. Ygor King por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. David
William por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e a Evelyn Perusso por
fraude processual.
Foi emitido
um 2º laudo do local onde o corpo foi encontrado preparado pela perita Cleia
Regina Amera em que ela alegava não ser possível ver marcas de arrastamento de
onde possivelmente o carro parou e onde o corpo estava posto. Isso reforça a
tese de que Edison supostamente teria tido a ajuda pra carregar Daniel.
Entra o ano
de 2019 e as audiências de instrução, uma etapa do processo judicial onde
ocorre as oitivas das testemunhas que serão arroladas pela defesa, pela
acusação, tem o interrogatório do réu, a apresentação das provas e no fim o
juiz decide se o caso vai ou não para o tribunal do júri.
Já em
janeiro de 2019, a 1ª Câmara Criminal negou um pedido de habeas corpus para o
David e para o Ygor. Em fevereiro começaram as oitivas da instrução no fórum de
São Jose dos Pinhais. O juiz desse caso mudou umas 5 vezes, salvo engano.
Durante as
audiências de instrução, a defesa dos acusados arrolou algumas mulheres, como
por exemplo uma chamada Ludmila Garrido que alegavam que Daniel as assediou
sexualmente, tentou forçar fica com elas, uma tentativa de montar uma visão de
abusador já que a tese da defesa era que o crime aconteceu porque Daniel tentou
violentar Cristiana.
E não só
isso. Também se falou sobre um suposto grupo de WhatsApp onde estariam além do
próprio Daniel, o Eduardo flamel, seu primo, o Lucas Muner, um outro Eduardo e
que nesse grupo eles costumariam tirar fotos deles na cama com mulheres sem que
elas soubessem e enviarem para todos verem, tentando aqui também demonstrar que
o que Daniel fez naquele dia era um comportamento recorrente. Os supostos
participantes do grupo confirmavam que existia um grupo de amigos entre eles,
mas que o propósito do grupo não era esse.
As defesas
continuam impetrando pedidos de habeas corpus. Até que conseguiram algumas
vitorias. Allana passou para uma medida
cautelar em agosto de 2019 e saiu da prisão. A Cristiana, o Eduardo, o Ygor e o
David também saíram em setembro e outubro de 2019 depois de uma revogação de
prisão. Nem todos tiveram essa sorte, já que Edison continuou preso e a Evelyn
foi presa em agosto por portar 3 kg de maconha.
Como
esperado, todos os acusados foram pronunciados e o julgamento aconteceu ano
passado em 2024, mas antes do julgamento outras coisas aconteceram.
A Allana
concedeu uma entrevista em 2020, 2021 ao Roberto Cabrini. Segundo ela, na época
do crime e da confissão, ela não contou a verdade. Isso já sabemos né? Ela
relata que quando entrou no quarto, o pai segurava o Daniel pelo pescoço em
cima da cama, Daniel de cueca e camiseta e que o pai é quem disse que o Daniel
estava tentando estuprar sua mãe e ele estava só a defendendo. Eu já contei a
vocês as versões dadas por ela e a incongruência das versões. Em uma ela viu
tudo, na outra ela desceu e já estava o caos. E tem a incoerência do Edison,
não esqueçam. Porque quando ele foi preso, ele disse por exemplo que ele entrou
no quarto arrombando a porta, depois ele mudou para ter pulado a janela. A
porta foi mesmo arrombada porque temos a foto do trinco dela, da porta
quebrada, mas há essa diferença de história vindo dele.
Uma outra
questão que incorreu também no período entre o crime e o julgamento foi com o
Botafogo. Em 2016 o clube tinha sido condenado a pagar R$ 300 mil ao Daniel por
motivo de luva, multa, 13º, férias e FGTS do jogador e ele recorreu. Foi só em
2021 que a juíza Cissa de Almeida decidiu que o jogador deveria pagar R$ 2 milhões
e 226 mil reais para a família de Daniel devido a essa ação relativa ao período
dele em 2014 no clube carioca.
Em 2020,
diversas fontes também reportam que a Cristiana abriu um processo de
indenização contra a família de Daniel por exposição de fotos dela, que seriam
as fotos dele com ela na cama e por crime sexual. Confesso que me esforcei, mas
não consegui ver se esse processo existiu mesmo ou existe e teve andamento.
O Claudio
Dalledone Junior renunciou a defesa dos Brittes em março de 2023 e foi
substituído pelo escritório Elias Mattar Assad.
Nos últimos
meses de 2023, creio que em outubro, a Allana e o David se casaram.
Esse
julgamento foi transmitido ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça do Paraná por
3 dias: 18, 19 e 20 de março de 2024.
Os réus
foram denunciados pelo MP por mais crimes do que estava no indiciamento
inicial.
O Edison por homicídio
triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de
menor e coação de testemunhas. Cristiana por homicídio qualificado por motivo
torpe, coação do curso do processo, fraude processual e corrupção de menor. Allana
por coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor.
Eduardo Silva por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e
fraude processual. Ygor King por homicídio triplamente qualificado, ocultação
de cadáver, ocultação de cadáver e fraude processual. David William por
homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual e a
Evelyn por fraude processual.
O julgamento começou no dia
18 de março com os 7 acusados juntos no Fórum de São José dos Pinhais.
Familiares dos Brittes chegaram com camisas com dizeres contra o abuso sexual,
numa alusão a tese de defesa de que Cristiana foi abusada, estuprada
sexualmente. Eram no total, quase 30 advogados de defesa no total.
Os promotores foram o Dr.
João Milton Sales e o Dr. Marco Aurelio Oliveira São Leao com o Dr. Nilton
Ribeiro colaborando como assistente de acusação.
O júri presidido pelo Juiz
Thiago Flores. Conselho de sentença formado por 4 mulheres e 3 homens.
A mãe do Daniel, Eliana, foi
toda de preto, em luto.
Foram arroladas 5
testemunhas de acusação sendo 2 sigilosas e 29 testemunhas de defesa. Alguns
testemunhos por videoconferência. Dessas 5, 3 acabaram sendo dispensadas.
A 1ª testemunha da defesa era
uma conhecida da Evellyn e da Allana e ela diz que a Evellyn foi forçada a
ficar na casa depois do crime e que, ela foi demitida do trabalho dela depois
de tudo. A 2ª testemunha desse dia foi a mãe da Evellyn, Rosângela, que contou
que a filha afirmou que beijou sim o Daniel na festa na Shed e que foi com ele
no mesmo carro até a casa dos Brittes. Ela foi mais uma informante, alguém da família
de um réu que fala no julgamento meio que pra dar para os jurados uma ideia do
caráter e da vida do réu.
A 3ª testemunha foi um
conhecido do David agora e depois dele falou o pai do Ygor, o pai de criação,
chamado Paulo Cesar. E contou que o Ygor foi criado pela avó, que não tinha pai
então ele foi a pessoa que ocupou esse papel na vida do Ygor e que o Ygor
estudou com a Allana, assim que os dois se conheceram, na escola e que naquela
noite Ygor nem ia sair, mas decidiu ir.
De todas as testemunhas
arroladas pelas defesas, no meio do dia 10 foram dispensadas.
Em seguida foram ouvidos um
vizinho dos Brittes e uma moça chamada Polini que também estava na Shed e
testemunhou que Cristiana estava bêbada.
A 7ª testemunha foi a Thays
Maria Farias, a prima da Cristiana que estava quando tudo aconteceu e era menor
na época. Ela foi contando que morava em Foz do Iguaçu, foi com o Eduardo para
São Jose dos Pinhais. Foram todos juntos para a Shed. A Allana não queria fazer
um after. Quando chegaram na casa pela manhã depois, ela e o namorado ficaram
uns 15 min lá embaixo e foram para o quarto.
Ela viu o Edison preparar
uns ovos para a Cristiana, pedir para a Allana por um short na mãe e depois a
Cristiana ir dormir.
Thays desceu para ir ao
banheiro, entrou na suíte do casal para usar o banheiro de lá e a Cristiana
estava dormindo. Ela ouviu alguém abrindo a porta do quarto e era o Daniel. Ela
disse a ele para ir em outro banheiro, ele respondeu que estava ocupado e que
já ia. Ela saiu e ele ficou.
Acordou com a Cristiana
gritando para pararem de bater. Eduardo desceu. Daniel estava de camisa e
cueca. Não viu o colocarem no carro. Na casa ficaram ela, Allana, Evellyn e
Cristiana. Os amigos todos foram embora.
Elas limparam o sangue,
limparam a casa. E tanto ela quanto o Eduardo voltaram para foz do Iguaçu no
sábado a noite, dia 27. Ela e Eduardo ficaram juntos por mais uns 3 anos e
terminaram.
Em seguida foram ouvidas
uma prima de Edison para falar sobre a relação dele com Cristiana e após ela um
segurança da Shed chamado Marcelo e ele falou sobre o quanto foi gasto de
bebida, perto dos R$ 3.200 e uma situação em que Daniel teria chegado em uma
menina na porta da badala, deu uma discussão e os seguranças precisaram
intervir.
Um irmão por parte de mãe
do Edison também falou, Michel o nome dele e foi mais sobre ações sociais que o
Brittes ajudavam sobre crianças com vulnerabilidade social e coisas assim.
Um rapaz chamado Guilherme,
filho de uma prima de Cristiana, contou que ele também foi na festa, mas não
lembrava de ter visto o Daniel. Ele foi com 2 amigos mais o Ygor no carro do
Edison para o after na casa, mas ficou por pouco tempo e foi embora antes do
crime.
Depois dele foi a vez da
primeira acusada ser interrogada no julgamento: a Cristiana.
Sua história começa no seu
namoro com o Edison. Ela tinha 15 e ele 17. Casaram-se no ano 2000 com ela já
gravida da Allana. Eles estavam namorando a 2 anos. Além da Allana eles tinham
uma outra filha, que já estava com 17 anos, a menina inclusive estava no fórum
e o juiz então pede que a imprensa ou quem quer que fosse, filmasse ou
fotografasse a menina por ser menor de idade. Depois que ela foi presa a filha
ficou na casa dos pais dela.
Ela conheceu o Daniel no
aniversario de 17 anos da Allana, mas não chegaram a conversar. Só se viram.
A Evellyn mencionou para a
Allana que o Daniel era muito inconveniente e que ela estava conversando com
ele para ser educada, isso ainda lá na Shed.
Eles, os Brittes, foram
embora primeiro e o esse after era pra ser algo só entre eles, a família. Ela
foi dormir e acordou com o Daniel pegando nos seios dela e com o pênis pra fora
da cueca dizendo algo como “calma, calma, é o Daniel.” A Cristiana conta isso
com a voz embargada, chorando, e falando rápido. Ela gritou e o marido
apareceu. A porta do quarto estava trancada, então ela saiu pela janela e
procurou pelo Eduardo, o namorado da prima.
Edison bateu no Daniel, alguém
arrombou a porta do quarto e ela só pedia pra pararem.
Cristiana afirmou que era
uma vítima do Daniel.
Confirmou que limparam sim
a casa, confirmou que foram no shopping encontrar os meninos, mas que ela mesma
não disse nada a ninguém. Negou que praticasse swing e que já tivesse traído o
marido.
Uma frase que ela disse que
me chamou atenção foi a “Naquele dia, ele (o Daniel) acabou comigo, acabou com
a minha família.”
Sobre não ter ligado para a
polícia ou pedido socorro a justificativa era que estava bêbada, tinha acabado
de ser abusada e ainda estava em choque.
Foi questionado quem
organizou ou chamou para o after e ela disse ter sido o Lucas Mineiro porque
ninguém que apareceu foi convidado para ir à casa dela.
No que diz respeito a notícia
da morte do Daniel ela soube por WhatsApp.
O próximo acusado a sentar
para ser interrogado foi o Edison, réu confesso.
Também começa contando sua
história, juntou dinheiro, comprou uma Gula. Na loja todos trabalhavam, ele
fazia reposição dos produtos, Allana ficava no caixa e a Cristiana limpava.
No dia do aniversario
propriamente dito, 24 de outubro, eles jantaram todos juntos. A Allana queria
muito comemorar os 18 em uma balada então eles organizaram a festa lá na Shed.
Ele quem recebeu todos os convidados nos camarotes. A Allana estava ficando com
o David William Vollero.
Ele soube
que no aniversario de 17 anos da filha o Daniel esteve e que na festa teria
mexido com uma menina convidada.
Na Shed ele
ficou com a Evellyn e parecia que tinha passado a mão em uma mulher na porta da
boate e brigou com uns rapazes.
O carro onde o Daniel foi para a casa dele,
chegou 40 min depois que eles já estavam na casa.
O after a
Allana pediu para fazer em casa, mas com as amigas dela, o Daniel nunca foi
convidado. Eles já chegaram apertando o interfone do portão avisando que
estavam lá.
Ele saiu de
carro para comprar bebida, voltou e viu a filha, as meninas e o Daniel não. Aí
ele ouviu um grito de socorro, puxou o blackout da janela do seu quarto e viu
Daniel, de cueca, camisa e pênis para fora, em cima da Cristiana. Ele pulou pra
dentro, tentou dar um chute no Daniel, subiu em cima dele e começou a bater.
Ouviu pessoas pedindo para ele parar, mas não parou.
Na confusão
colocaram o Daniel no porta-malas do carro e ele pegou o celular do Daniel, na
intenção de largar ele na rua daquele jeito para passar vergonha.
Dentro do
carro, ele mexeu no celular e viu as fotos que ele mandou, a conversa dele com alguém
e os áudios. Eu aqui esperava que esclarecessem como que ele conseguiu acessar
o celular, porque imagino que deveria ter senha, se fosse iphone teria ou o
touch ID se fosse um telefone do ano passado ou um Face ID se fosse um aparelho
lançado já em 2018.
Ele pegou
uma estrada de chão, parou o carro, abriu o porta-malas e o matou. Tirou o
corpo de dentro do porta-malas nos braços, cortou o pênis e jogou nas arvores.
Ele viu o David vomitando.
Na prisão
ele foi torturado na prisão, afogado, eletrocutado e agredido.
O Edison foi
questionado sobre as incongruências do que ele disse antes, versões com
mentiras e segundo o Edison, ele mentiu, como sobre por onde entrou no quarto, porque
Dalledone mandou. Aí o promotor se meteu e pediu que avisassem ao Dalledone
sobre a acusação.
Ele disse
que se arrependia muito, mas que o culpado de tudo foi o Daniel que não
respeitou a casa dele e a mulher dele.
Sobre a faca
ele disse que já estava no carro, ninguém pegou na cozinha.
O segundo
dia de júri começou com o interrogatório do David.
Ele fala sobre
como conheceu Ygor ainda na infância, de terem estudado juntos, jogaram futebol
na mesma escola. Ambos reencontraram a Allana no enterro do irmão de Ygor,
Leonardo que tinha cometido suicídio.
Naquela
noite ele não ia sair porque a mãe dele insistiu muito que ele ficasse em casa,
mas o Ygor persistiu que ele fosse e ele concordou em irem pra Shed. Ele e a
Allana já estavam juntos.
Edison o
chamou para um after na casa, Ygor foi junto. Não viu Daniel lá ou não notou
ele lá. Edison depois o chamou para irem ao mercado comprar bebida. Na volta,
durante o caminho, encontraram um gesseiro, o Edison parou pediu pra eles
algumas entregas, já era de manhã.
Quando
voltaram ele foi para o quarto da Allana dormir e logo o Ygor aparece gritando
para descer e ajudar.
Ele saiu
correndo as escadas com o Ygor, foram até a janela do quarto do casal e o
Edison dizia que o cara estava em cima da mulher dele.
Começaram os
3 a bater no Daniel. Arrombaram a porta e todos os homens agrediram o Daniel,
que até tentou fugir, mas bateu a cabeça na parede e não conseguiu sair. A
calça dele estava dobrada do lado da cama e ele de camisa e cueca. Eles tiraram
a cueca e o deixaram nu.
Um dos
irmãos Purkote tentou chutar a cabeça do Daniel e ele não deixou.
Ninguém
tinha pensado ou tentado ligar para a polícia.
O Edison o
chamou no carro e ele foi no automático. O Daniel já estava no porta-malas. O
que o Edison ia dizendo era que iria deixar o cara nu em algum lugar. Como ele
estava no banco do carona, ele viu o Edison mexendo no celular do Daniel e
ficando nervoso. Entraram então numa estrada que saia da BR 277 onde eles
estavam e o Edison parou o carro e desceu. Viu o sogro arrastando o Daniel, mas
não o viu cortando, só ele voltando com a faca cheia de sangue na mão e murmurando
que tudo o que ele fez foi pela sua família.
Pararam em
uma loja e o Edison pediu que ele entrasse e comprasse roupa pra ele trocar.
Pararam mais uma vez e ele comprou água. Edison lavou as mãos e jogou a faca em
um córrego. Voltaram pra casa, viu o Edison abraçar a Allana chorando e ele foi
embora.
Ygor King
foi o ouvido em seguida.
Morava com a
mãe e irmãos na miséria quando criança, depois foi morar com um tio e depois
com a avo. Morou em invasões. Começou a trabalhar com 10 anos, aos 11, contou
para um amigo a sua vida e os pais desse amigo o pegaram para criar. Eram os
pais do Leonardo.
Ele e David
reencontraram a Allana no enterro do Leonardo e os chamou para irem na festa.
Ele não queria muito ir, mas o David comprou ou pegou as entradas para os dois
irem e foi de madrugada já que eles resolveram irem mesmo.
Beberam, a
Allana não queria muito um after não, mas disse que todos poderiam dormir lá na
casa dela e fazerem algo depois no dia seguinte.
Viu Daniel
ficando com a Evellyn na Shed e ele sentado lá na casa dos Brittes.
Os irmãos
Purkote chegaram na área gourmet da casa gritando que tinha um cara no quarto
dos Brittes e ele viu a Cristiana saindo pela janela, Edison segurava o Daniel
pelo pescoço e pediu que ele chamasse o David. Os 3 bateram no Daniel.
O irmão
Purkote arrombou a porta e ele, David e o Eduardo entraram no quarto pela
janela mesmo.
Foi junto
com os caras para o carro, mas não viu o assassinato.
Na casa, na
volta, o Edison juntou todo mundo, contou que matou o Daniel, que ele ia
assumir o crime, que conhecia pessoas importantes, que não era pra nada daquilo
sair dali.
Ele não foi
embora logo, ficou no sofá enquanto Edison saiu para lavar o carro e quando o
Edison voltou da lava jato contou que tinham encontrado o corpo do Daniel.
O
interrogatório dele acabou e logo após era o do Eduardo.
O Eduardo expõe
a sua versão e a sua história. Ele começou a namorar a Thays aos 14 anos,
morava em Foz e foi acompanhar ela. Eles foram embora juntos da Shed, ele ficou
uns 15 min ali na área de festas, área gourmet da casa e subiu com a Thays para
ir dormir.
A Cristiana
subiu chorando e dizendo que um cara tinha entrado no quarto, mexeu com ela e o
Edison estava batendo no cara e pediu para o Eduardo ir separar.
Chegou na
janela e Edison falava que o Daniel tinha tentado estuprar a Cristiana e ele
acabou espancando o Daniel também, em certo ponto tentou parar, mas não
adiantou.
Viu quando o
Edison colocou o Daniel no porta-malas e entrou no carro junto com os outros.
Edison não
falava nada dentro do carro e estava com uma faca. Em algum lugar ele parou o
carro e mandou todos ficarem dentro. Ouviu o Daniel gritar quando o Edison o
tirou do porta-malas. Ele desceu do carro, viu sangue e logo o Edison voltou.
Após o
Eduardo, era a vez da Allana ser ouvida e interrogada.
Conheceu
Daniel pelo Instagram em 2017, mas nunca ficaram ou algo parecido. Ele morava
em Curitiba então ela o convidou para o seu aniversário de 17 anos.
No de 18,
tinham umas 75 pessoas nos dois camarotes que os pais reservaram. Ela viu o Daniel,
o cumprimentou, ele foi para a área VIP e ia e vinha no camarote deles.
Não o chamou
para sua casa, não deu o seu endereço pra ele. A intenção do after na sua casa
era serem os seus pais, a prima, o namorado da prima, o David e o Ygor somente.
Ela que ajudou
a mãe a ir dormir.
A Evellyn
enviou uma mensagem dizendo que estava indo pra lá, que o Daniel estava no
carro, mas não queria ficar com ele. Lucas Mineiro ligou em seguida dizendo que
estava no portão, ela não queria atender, mas o pai pediu que ela abrisse. Não muito
depois disso ela foi subiu para ir dormir. David subiu também.
O Ygor entrou
no quarto gritando. Quando ela desceu a mãe estava chorando e o pai segurava o
Daniel pelo pescoço.
Ela, a mãe,
Thays, Evellyn, Sthefany, Carol, Lucas e os irmãos Purkote ficaram na casa
quando os outros saíram com o Daniel no porta-malas no carro do pai. Alguns
pediram um Uber e foram embora, quem ficou, limpou a casa.
De todos ela
só conversou depois com a Carol e no shopping, o pai verbalizou aos irmãos
Purkote e ao Lucas que iria se entregar. Sobre a Evellyn, ninguém a obrigou a
ficar na casa, que era algo que a Evellyn dizia que aconteceu e que a Evellyn
ficou lá porque quis, de vontade própria.
Durante esse
interrogatório da Allana, uma curiosidade que ocorreu foi que, um jurado parece
que chorou. Por motivos óbvios, em transmissões de julgamentos, nunca é
mostrado os jurados, mas um jornalista que cobria o julgamento de dentro da
sala, narrou esse ponto do choro do jurado.
A última
acusada que seria ouvida era justamente ela, a Evellyn.
Ela e Allana
eram amiga, amizade essa que acabou. Ficou com o Daniel na Shed, mas não quis
mais porque ele pareceu soberbo. Ele até tentou de novo, ela foi grossa com
ele, isso ainda lá na shed e a Allana pediu que ela não fosse grosseira com
ele.
Durante a
briga lá na casa dos Brittes, foi falado de chamar a polícia, ela não sabia
quem exatamente falou, mas Edison ouviu e deixou claro que lá quem mandava era
ele e ninguém ia chamar nada.
Quando Edison
saiu de carro com os rapazes, a Allana chegou a tentar pediu um Uber pra ela,
Evellyn ir embora, mas o pai enviou uma mensagem mandando que não era pra
ninguém sair da casa então a Allana cancelou o pedido de corrida.
Em relação
ao crime em si, ela fala que o Edison voltou depois de toda briga, no retorno
com os meninos, muito nervoso, abraçou a Allana e disse que tinha matado o
Daniel.
Mais tarde
um pouco o Edison contou que o corpo tinha sido achado e mandou que limpassem a
casa e elas limparam.
A Evellyn
foi posteriormente presa por tráfico e o motivo dela estar vendendo, de acordo
com ela, era a sua situação financeira. Depois do crime ela perdeu o emprego,
não conseguia mais nenhum, tinha uma filha pequena, advogado pra pagar então
era a saída que ela encontrou. Pelo tráfico ela foi condenada a 3 anos. Na
época do julgamento ela estava com uma filha de 3 meses.
Todos
ouvidos, iniciam-se os debates pelo promotor Milton Salles.
Relata como
era o Daniel, sobre a filha do Daniel, os pais dele, a família dele. Fala sobre
os Brittes, diz que os pais se comportavam como adolescentes, o que eu
particularmente, tendo a ter uma empatia porque eles foram pais muito novos, eu
também fui mãe nova e ouço até hoje que eu mais pareço irmã dos meus filhos do
que mãe porque optei por ser com eles mais aberta e parceira do que meus pais
foram comigo. Tem limite? Tem. Eu não iria pra uma balada por exemplo com meus
filhos, nós vamos a shows, festivais, mas entendo que precisa haver um limite,
mas cada família é uma família e as pessoas decidem viver a sua maternidade ou
paternidade como quiserem.
O promotor
revisa o passo a passo do crime, do corpo sendo encontrado, da pulseira da Shed
no corpo que ajudou na identificação, da foto que Daniel enviou ao primo, da
ligação que os Brittes, fizeram para a Eliana, prestando ajuda, dissimulando,
criando uma história de que ele saiu sozinho da casa.
No corpo não
tinha uma folha de arvore, não tinha sujeira, como ele poderia ter sido
arrastado? Nem sinais de defesa o Daniel tinha.
Ninguém
procurou uma delegacia quando souberam que a família procurava o Daniel, só quando
se entregou.
Relembra que
o delegado do caso relatou que pessoas ouvidas no inquérito falaram sobre a
Cristiana pedir para não matarem o Daniel na casa dela, outras viram Edison
amolar a faca enquanto se discutia o que fazer.
Ele pedia
aos jurados a condenação.
O Dr. Nilton
Ribeiro, assistente de acusação, advogado contratado pela família Correa,
mostra vídeos do Daniel em vida, com a família, com a filha que já tinha 9
anos, vídeos dele jogando, mostrou fotos do corpo dele, de como ele foi
encontrado, bem pesado, usou um estagiário dele para encenar como aqueles
homens teriam carregado o Daniel do porta-malas e feito os cortes.
Os acusados
disseram que a vida deles acabou, mas eles que acabaram com a do Daniel, com a
da família dele.
Se passa
para a vez das defesas. O 1º a falar foi o Dr. Elias Assad, advogado do Edison.
Como são mais de 1 acusado, os debates têm 2h30 tanto para a acusação quanto
para a defesa, aí as defesas dividiram o tempo entre elas.
A versão do
arrombamento da porta foi criada por Claudio Dalledone para que toda a cena
parecesse mais romântica. Mostra vídeos de Daniel Alves, Robinho, do goleiro
Bruno, fazendo alusão a jogadores que cometem crimes sexuais e feminicídio.
Ele passa na
tv prints da mensagem enviada ao primo onde Daniel fala de comeu a coroa. Transmite
um vídeo de um rapaz chamado Renan dizendo que Daniel importunou uma moça
chamada Manuela em uma balada.
Direcionado
para os jurados, pergunta se algum pai, marido, não faria o que o Edison fez.
Não defenderia sua família, o dever e o direito de um homem.
A Dr. Thayse
Mattar Assad e Louise Mattar Assad, defensoras de Cristiana e da Allana, falam
sobre a inconveniência de Daniel, a Cristiana nem pode dizer não ao estupro
porque estava dormindo, ela foi estuprada. Ele nunca foi chamado por ela a
casa, a Allana nunca forneceu o seu endereço para o Lucas Mineiro e elas só
limparam a casa porque iriam precisar continuar a morar lá e a filha menor de
idade voltaria.
A
representante da Evellyn, Dr. Thayse Pozzobon, relata que a Evellyn foi coagida
a limpar a casa dos sinais do crime, ela e a Allana eram amigas a 1 ano
somente, testemunhas ouvidas disseram que a Evellyn falou em chamar o SAMU,
pegou o celular para ligar e o Edison a mandou desligar o telefone.
Dr. Jessica
Moreira e Dr. Clarissa Taques, advogadas do Eduardo, reiteravam que Eduardo
bateu, mas parou e tentou várias vezes que parassem o espancamento. Ele teve
uma infância difícil, um pai assassinado. Sem a presença do Eduardo o Edison
ainda teria matado o Daniel.
O último
advogado de defesa foi o Dr. Rodrigo Faucz, defensor do David e do Ygor, que
declarou a falta de intenção dos dois em matar o Daniel e que, nada indicava
sem dúvida que o Daniel foi carregado, que era uma das acusações contra eles,
de ocultação do corpo por terem ajudado o Edison a levar o corpo do Daniel até
a mata carregando.
Para o 3º e último
dia ficaram a réplica e a tréplica. Uma hora e meia para cada lado, também
devido ao fato de serem mais de um acusado.
Começou com
a promotoria. E daí foi um bate-boca. O Dr. Milton Salles e o Dr. Elias Assad
iniciaram uma gritaria um com o outro, o Dr. Nilton se envolveu. Foi um bate-boca,
o DR. Assad perguntou se ser abusado era diversão, o Dr. Ribeiro respondeu
perguntando se ser castrado era diversão.
O Dr. Milton
Salles lembra que Edison quebrou o celular do Daniel com a ajuda dos irmãos
Purkote. Agora você lembrou que eu falei do Eduardo Purkote, mas o nome dele
não está aqui sendo citado como um dos acusados. Isso porque ele não foi denunciado.
Não o acusaram de coisa alguma, ele foi solto e continuou a vida.
Ele
transmitiu o vídeo da saída da boate em que a Evellyn aponta o carro do Uber
para o Daniel e ele entra no carro com a Evellyn. O vídeo que eu já comentei
sobre a Cristiana no que parecia ela tentando beijar um rapaz, ele também
passou. E novamente o estado do corpo do Daniel é apontado: camisa rasgada, sem
o pênis, ensanguentado, pescoço cortado, quase degolado.
A tréplica
não teve nada a mais além da advogada da Cristiana falando da legitima defesa
escusável que pra mim foi interessante ouvir porque era algo novo aos meus
ouvidos de estudante e me deu a chance de ir atras e estudar o que seria
aquilo. O que eles estavam alegando é que o crime foi legitima defesa, mas que
excedeu no necessário para se defender. Basicamente ela usava de uma exclusão
de ilicitude, então que não houve crime doloso, porque se agiu em legitimar
defesa. Resumindo bem porcamente seria isso.
Os jurados
perguntaram o porquê dos irmãos Purkote não terem sido arrolados e aí o juiz
explicou que o MP arrolou, mas abriu mão e as defesas não chamaram, mas que
eles, se quisessem, podiam assistir ao vídeo do depoimento deles em fase de
instrução ou ler a transcrição do mesmo depoimento.
Perguntam também
se o Edison teria agredido Cristiana. As defesas dos Brittes negaram a
informação e os jurados que a Evellyn afirmou que havia acontecido isso.
Outra
pergunta foi se, Daniel, mesmo estando tão alcoolizado, poderia ter conseguido
ou teria conseguido ter uma ereção, conseguiria estuprar a Cristiana. O juiz
responde que não dava para afirmar se sim ou não.
Eles também
questionam sobre um laudo necroscópico que apontava ferimentos que seriam de
cotoveladas talvez sofridas dentro do carro e o se mostra o vídeo do Eduardo
dizendo que o Ygor bateu no Daniel já no porta-malas.
O resultado
dos 3 dias de julgamento foi o seguinte:
- ü Edison foi condenado por homicídio triplamente qualificado, fraude processual, ocultação de cadáver, coação no processo e corrupção de menores. Total de 42 anos, 5 meses e 24 dias de reclusão, mais 2 anos, 1 mês e 8 dias de detenção e 1.397 dias multa.
- ü Ygor, Eduardo e David foram todos absolvidos.
- ü Cristiana
foi absolvida pela acusação de homicídio qualificado e por coação no processo,
mas condenada por fraude processual e corrupção de menores. A pena foi de 6
meses de detenção em regime aberto e 1 ano de reclusão podendo recorrer em
liberdade, mais 20 dias multa.
- ü Allana
foi condenada em todas as acusações, pela fraude processual, corrupção de
menores e coação no curso do processo.
Total de pena foi de 6 anos, 5 meses e 6 dias de reclusão em regime
fechado e mais 9 meses e 10 dias de detenção mais os 240 dias multa.
- ü Pela
acusação de fraude processual a Evellyn foi absolvida.
Dois dias
depois da sentença, Allana foi solta. A Ligia Maejíma entendeu que como a
prisão não era definitiva, não era uma condenação transitado julgado e cabia
recurso, ela não precisava ficar presa e ela segue livre vivendo a vida de
casada, ela é ativa nas redes sociais, viaja, posta.
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